J. Hampton Keathley III, Th.M. é um graduado de 1966 do Seminário Teológico de Dallas e um antigo pastor de 28 anos. Hampton no momento escreve para a Fundação de Estudos Bíblicos (BSF) e ocasionalmente ensina Grego do Novo Testamento em Moody Northwest (uma extensão do Instituto Bíblico Moody) em Spokane, Washington.
Introdução
Quando as pessoas confiam em Cristo com fé, quer elas reconheçam isto ou não, elas estão se matriculando na “escola da fé.” Consequentemente, como Cristãos, nós nunca sabemos o que irá acontecer depois porque Deus, que trabalha todas as coisas juntas para o bem, usa nossas provações como ferramentas para promover crescimento espiritual e maturidade. Nós poderíamos tomar Abraão como uma ilustração. Paulo o identifica como o pai da fé, o pai de todos que acreditam (Rm 4:16-17). Quando nós examinamos a sua vida, nós rapidamente vemos como Deus o levou de um teste para outro. Como ele confiava em Deus, ele obedeceu o chamado de Deus, deixou Ur, e foi para Canaã, mas imediatamente, nós encontramos Abraão encarando escassez e fome, fixando uma disputa por fronteira, se preparando para uma batalha, e então encarando a continuação de não ter um filho como Deus tinha lhe prometido. Por que isto é assim? Tiago 1:2-4 nos dá uma resposta.
Tiago 1:2-4 Meus irmãos, tende por motivo de grande gozo o passardes por várias provações, 3 sabendo que a aprovação da vossa fé produz a perseverança; 4 e a perseverança tenha a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, não faltando em coisa alguma.
Deus nos quer amadurecendo em todas as áreas da vida, mas maturidade não vem facilmente. Não pode haver crescimento sem sermos provados, e não pode haver provações sem dificuldades. Se as nossas circunstâncias nunca mudassem, se tudo fosse previsivelmente bom e confortável, nós nunca teríamos realmente que confiar em Deus; quanto mais previsível a vida fica, menos desafios ela apresenta.
Normalmente, o crescimento é difícil. Ele nos estressa e machuca e nós naturalmente procuramos pelo que é confortável e fácil. Talvez você tenha ouvido uma canção com uma letra assim, “Procurando por amor nos lugares errados.” Do mesmo modo, existe um livro entitulado, Procurando Pelo Primeiro Lugar. Se estas palavras não ilustram a tendência humana típica de ver a vida, eu não sei o que mais o faz. As pessoas procuram por aquilo que elas querem ou pensam que elas tem que ter para fazer a vida funcionar, mas elas normalmente procuram isto nos lugares errados, seja amor ou segurança ou felicidade ou significância. Além do mais, neste processo, ao invés de andar em fé na providência e provisão de Deus, as pessoas procuram pelo primeiro lugar. Isto, é claro, não é apenas um estilo de vida centrado em si mesmo que passa por cima de qualquer um que entrar no caminho, mas também um estilo de vida que depende de suas próprias soluções fúteis.
A descrição de Abraão e Ló em Gênesis 13:1-13 nos dá uma boa ilustração disto no contraste visto entre estes dois homens. Por um lado, tendo crescido pela experiência no Egito (Gn 12) e com seus olhos focados e descansando nas promessas de Deus de um dia dar a ele e as seus descendentes a terra, Abraão foi capaz de colocar outros antes de si mesmo. Ele ofereceu a Ló a oportunidade de escolher aonde ele queria viver. Contrariamente, com os seus olhos egoisticamente focados no que ele queria, não importando o quanto isto poderia afetar a Abraão, Ló confiou em sua própria sabedoria e estratégias e escolheu de acordo com sua própria visão.
A resposta de Abraão é uma ilustração clássica da fé sob fogo. Ela nos ensina como a fé lida com os problemas da vida como a possibilidade de uma contenda ou relacionamentos tensos como descrito em Gênesis 13:5-8. Claramente, o desejo de Abraão por harmonia, junto com sua generosidade e sacrifício, era um sinal de fé na sabedoria e promessas de Deus, por que a fé não procura egoisticamente os seus próprios desejos, mas é generosa, graciosa, e nega a si mesma.
A vida Cristã é uma vida de fé. Os cristãos são chamados para viver pela fé do começo ao final; de uma fé inicial em Cristo que promete salvação como uma dádiva de Deus até uma vida de fé momento a momento que compreende todas as circunstâncias da vida. É uma vida na qual os crentes são chamados para descansar cada aspecto da vida nas mãos de Deus – passado, presente, e futuro. Este estudo é sobre algumas das grandes promessas e princípios das Escrituras, que nos ensinam como e nos encorajam em nosso caminhar pela fé. É evidente em toda a Bíblia que a fé ou confiança no Senhor é importante para a caminhada diária do crente, e isso fica óbvio pelo número de vezes que a palavra fé ou um de seus sinônimos, como confiar ou acreditar, ocorrem nas Escrituras. Fé ocorre em torno de 269 vezes, confiar 72 e alguma forma da palavra acreditar 125 vezes.
Apenas umas poucas passagens irão rapidamente ilustrar o papel vital que a fé ou acreditar ou confiar deveriam ter:
Efésios 2:8-9 Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus;9 não vem das obras, para que ninguém se glorie.
Romanos 1:16-17 Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. 17 Porque no evangelho é revelada, de fé em fé, a justiça de Deus, como está escrito: “Mas o justo viverá da fé.”
2 Coríntios 5:7 ... porque andamos por fé, e não por vista.
Colossenses 2:6-7 Portanto, assim como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim também nele andai, 7 arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, abundando em ação de graças.
Mateus 6:30 Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé?
Hebreus 11:1,6 Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem.... 6 Ora, sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.
Romanos 14:23 ... Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque o que faz não provém da fé; e tudo o que não provém da fé é pecado.
Salmos 62:7-8 Em Deus está a minha salvação e a minha glória; Deus é o meu forte rochedo e o meu refúgio. 8 Confiai nele, ó povo, em todo o tempo; derramai perante ele o vosso coração; Deus é o nosso refúgio.
Provérbios 3:5 Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento.
Isaías 26:4 Confiai sempre no Senhor; porque o Senhor Deus é uma rocha eterna.
Hebreus 4:2-3 Porque também a nós foram pregadas as boas novas, assim como a eles; mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não chegou a ser unida com a fé, naqueles que a ouviram. 3 Porque nós, os que temos crido, é que entramos no descanso, tal como disse: “Assim jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso;” embora as suas obras estivessem acabadas desde a fundação do mundo;
João 3:14-18 E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; 15 para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna. 16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. 17 Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. 18 Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
Romanos 4:3-5 Pois, que diz a Escritura? “Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.” 4 Ora, ao que trabalha não se lhe conta a recompensa como dádiva, mas sim como dívida; 5 porém ao que não trabalha, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é contada como justiça;
A fé, então, na verdade e conteúdo das Escrituras é a essência da vida Cristã. Entretanto, embora possamos saber que devemos andar pela fé como Cristãos, nós ainda assim freqüentemente falhamos em ver quão profundamente uma vida de fé deve alcançar cada faceta de nossas vidas de modo que ela verdadeiramente circunde tudo o que somos e fazemos. Nós damos crédito a este conceito intelectualmente, mas nós acabamos compartimentalizando. Nós andamos em fé em algumas áreas, enquanto outras nós cuidadosamente reservamos para as nossas próprias soluções pelas quais nós procuramos atender nossas necessidades. Tais soluções, é claro, constituem nossas próprias medidas auto protetoras de auto confiança. Nós podemos confiar em Cristo para a Salvação. Nós podemos confiar Nele para o nosso pão diário. Nós podemos confiar Nele por habilidade para testemunhar ou para ensinar na classe de Domingo. Nós podemos confiar Nele por segurança em uma viagem ou também para nos curar de alguma doença. Mas mesmo em tudo isto, nós podemos ainda procurar lidar com a maioria dos aspectos da vida, especialmente os frustrantes, com nossos próprios recursos ou métodos. Isto é particularmente verdade em nossos relacionamentos com as pessoas.
Aprender a viver pela fé é uma questão basicamente de: (a) conhecer a Deus (cf. Sl 9:10; Dn 11:32), (b) permanecer concentrado Nele (Hb 12:1-2), e (c) identificar, reconhecer, e se afastar daquelas soluções humanas pelas quais nós procuramos viver, nossos métodos auto protetores, os quais são na realidade o caminho da descrença e são fúteis para alcançar nossas necessidades (Jr 2:12-13; 17:5-7; Is 50:10-11).
Como parte do processo de aprendizagem, o Novo Testamento freqüentemente nos aponta para o Velho Testamento tanto para exemplos positivos de fé como incentivos (Hb 11:1-12:1), assim como para ilustrações negativas de incredulidade como advertências contra o falhar em andar pela fé (Hb 3:7-4:16). Estes exemplos do Velho Testamento permanecem como advertências eternas. Eles ilustram o quão rapidamente nós podemos falhar em relacionar e concentrar nossas vidas no Senhor e no que Ele é para nós e pretende fazer em, através de, e para nós (1Co 10:1;Hb 3:7).
Analogias de Fé do
Velho Testamanto
Primeiro Coríntios 10:6 e 11 nos ensinam que a nação de Israel e a forma como Deus lidava com eles formam exemplos ou analogias para nós hoje. Muitas das vezes, estes exemplos são negativos, mas eles podem nos ensinar bastante sobre nossa caminhada Cristã. Uns poucos exemplos de analogias que muitos estudantes da Bíblia observaram estão escritos abaixo.
Egito
O Egito nos dá um tipo ou retrato do mundo com todas as suas idéias humanas, idolatrias, misticismo, e antagonismo à salvação, libertação, e aos propósitos de Deus para o Seu povo. Viver ou estar no Egito retrata uma condição de perdição, uma escravidão à Satanás, ao mundo, e à carne. Sair do Egito através da Páscoa dos Judeus (passagem pelo sangue do cordeiro) e pelo Mar Vermelho retrata libertação pela morte de Jesus Cristo e o forte poder de Deus. Isto fala da redenção pela vida salvífica de Cristo. Um crente se dirigindo para o Egito como Abraão fez em Gênesis 12:10 ilustra como ele pode se virar para o mundo e seus substitutos e soluções ao invés de se voltar para o Senhor em fé para libertação.
Israel no Deserto
Israel no deserto é um outro tipo ou retrato e pode representar: (a) O crente em forma carnal, redimido e abençoado com privilégios maravilhosos, e ainda assim falhando em continuar sua vida com Deus. Isto ilustra como um crente pode viver fora da condição de bênçãos máximas, fora da vontade de Deus e em constante derrota, sempre andando em círculos e desviando-se ou vagando a esmo por causa da falha em confiar no Senhor e na libertação que Ele prometeu (Hb 3:7-4:11). (b) Ou pode retratar a variedade de provações que Deus usa como ferramentas de crescimento como explicado em Tiago 1:2-4 e Deuteronômio 8.
Cruzando o Jordão
Cruzando o Jordão e se dirigindo para Canaã é análogo a necessidade do crente de obter as suas possessões ou bens pela fé no poder e provisão de Deus. Isto retrata o crente em comunhão, enfrentando conflitos e inimigos, e ainda assim sendo capaz de ser vitorioso enquanto dependente do Senhor, enquanto andando pela fé nos princípios e promessas da Palavra, enquanto mantendo os seus olhos no Senhor ao invés de nos problemas.
Os Cananeus
Os Cananeus na terra são certamente análogos aos nossos inimigos que sempre estão prontos para se opor a nós quanto a forma Cristã de viver. Na realidade, estes inimigos ou adversários estão derrotados, mas a sua derrota tem que ser apropriada pela fé. Embora os nossos inimigos estejam derrotados, nós ainda temos que apropriar a nossa vitória vinda de Deus, a vida salvífica de Cristo. Alguns acreditam que Jericó pode ilustrar o mundo, Acã e Ai a carne ou a natureza pecadora, e os Gibeonitas podem ilustrar os enganos de Satã e o sistema do mundo.
Os Cananeus já estavam na realidade aterrorizados bem antes de Josué e sua nação cruzarem o Jordão para possuir a terra. Por três vezes em Josué 2 a palavra “derreter” é usada para descrever a condição emocional ou a moral destas pessoas (cf. vss. 9, 11, 24). Mentalmente e emocionalmente, eles eram um povo derrotado. Deus já tinha colocado os Cananeus nas mãos de Israel e isto já tinha sido assim por quanto tempo ? Desde que eles ouviram sobre os eventos do Mar Vermelho alguns 40 anos atrás (veja Josué 2:9-11).
A questão é, porque Israel não esperava isto ? Eles começaram crendo, porém logo esqueceram (Ex 15:1-19, mas observe especialmente 15:14-16). Com a exceção de Moisés, Josué, e Calebe, o texto do Velho Testamento nos mostra que eles se recusaram a acreditar na promessa de Deus e ao invés disso permitiram que o relato negativo dos dez espias derretessem seus corações. Por que ? Porque eles estavam olhando para os problemas e não para o seu Deus (cf. Dt 1:28 com Nm 13:25-14:4).
Que ironia! Os habitantes estavam olhando para o Deus de Israel e estavam tremendo em suas sandálias. Os Israelitas, que viram as obras poderosas de Deus sucessivas vezes, estavam olhando para os seus problemas ao invés de para Deus e, como resultado, estavam aterrorizados em uma paralisante descrença (cf. Nm 13 e Dt 1:26-32).
Quão semelhante a nós isto é! Seja uma mordida de um mosquito ou a agressão de um leão, nós temos que aprender a manter nossos olhos no Senhor e fora dos problemas (veja Hb 12:1-2). Tirar nossos olhos dos problemas e colocar no Senhor nós chamaremos refocalizar. Refocalizar envolve basicamente quatro passos: (a) confissão de reações erradas, (b) considerar tudo com prazer ou alegria, (c) entregar os problemas ao Senhor, e (d) concentrar em cinco elementos chave sobre Deus – Sua pessoa, propósitos, princípios, promessas, e plano (a partir daqui referidos como os 5 Ps).
O Conceito de Foco
Nós temos duas opções com respeito ao nosso foco. Nós podemos focar nos nossos problemas e nas coisas que queremos ou pensamos que precisamos, ou nós podemos focar no Senhor e Seu sustento. As conseqüências de um foco errado podem ser vistas com o que aconteceu a Israel: (a) eles se tornaram um povo derrotado uma vez que falharam em reter suas possessões; (b) eles eram um povo disciplinado e destruído uma vez que morreram no deserto; (c) eles se tornaram um povo desgraçado e trouxeram desonra para Deus; e (d) eles se tornaram um povo debilitado – eles perderam o poder de Deus e a capacidade de realizar o Seu propósito.
Padrões errados de vida se desenvolvem de crenças ou filosofias erradas sobre a vida, sobre Deus, os outros, e a si próprio. Isto se torna a base do que pensamos e como pensamos, e daí como vivemos nossas vidas. Se nossas crenças estão estruturadas na Palavra de Deus, o que é um processo que dura a vida toda, e se nós formos diligentes e comprometidos com a aplicação das Escrituras através do ministério do Espírito Santo, então nós começaremos a ser transformados pouco a pouco no caráter de Jesus Cristo, conformados a Sua imagem pelo Espírito.
É claro que, então, uma questão importante é o quanto nós estamos permitindo a Palavra dirigir os nossos passos ou brilhar em cada aspecto de nossas vidas de modo que a verdade de Deus, a qual nos liberta, possa mudar nossas estruturas de fé ou crença e nossas fontes ou origem de confiança. O Salmista escreveu, “Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o de acordo com a tua palavra” (Sl 119:9).
Mas outra importante questão diz respeito a quanto nós somos capazes de manter nossos olhos na verdade das Escrituras, as verdades sobre a pessoa de Deus, Seu plano, princípios, promessas, e propósitos. Conhecê-las é uma coisa, mantê-las fixadas em nossas mentes e corações é completamente diferente. Nós não podemos aplicar o que não conhecemos, mas conhecer a verdade não é suficiente. Apenas conhecimento pode resultar em arrogância, além de poder também induzir ao erro. Pode nos levar à impressão de que estamos vivendo de acordo com a Palavra quando na realidade não estamos. Nós podemos saber os princípios (ter conhecimento ou compreensão da perspectiva de Deus), mas falhar em aplicá-los (ter compreensão espiritual e foco, cf. Cl 1:9).
Colossenses 1:9 Por esta razão, nós também, desde o dia em que ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual.
Portanto uma das chaves para se aplicar a Palavra e viver pela fé é ter foco. O foco é crucial para três coisas: (a) para corrigir nossas crenças e fontes de confiança; (b) para construir e manter a fé, e (c) para o que nós nos tornamos em nosso caráter, atitudes e ações. Então, o que queremos dizer por foco?
Definição de Foco
O verbo “focar” significa “visualizar, tornar algo claro, se concentrar em algo”. Significa “claridade.” Binóculos que estão fora de foco não servem para nada. Apenas quando o colocamos em foco para algum objeto é que ele aumenta a nossa habilidade de ver o mesmo claramente. Mas foco também significa “se devotar a uma tarefa, ou a uma idéia, ou a uma pessoa, ou a qualquer coisa que esteja no campo de foco de alguém.” Um ponto de foco é um lugar de atividade, concentração, influência, importância, ou mesmo determinação. É um ponto de origem do qual emanam idéias, crenças, influências, e controle.
Em 1995 Steve Kafka foi eleito para o Hall da Fama como instrutor de ginástica olímpica de Escola Secundária em Illinois. Kafka foi o instrutor da Escola Glenbard East em Glen Ellyn onde obteve o segundo lugar nas finais em 1987, 1988, e 1990. Então em 1995, depois de reconstruir um time numa escola diferente, ele obteve a segunda colocação mais uma vez e finalmente em 1996 ganhou o campeonato estadual.
Para realizar isto, os seus ginastas tiveram que concluir os seus procedimentos com sucesso no campeonato estadual, quando a pressão é alta e fica fácil cair. Na verdade, a primeira vez que o time de Kafka se qualificou para o campeonato estadual, vários ginastas caíram do cavalo, das barras altas e barras paralelas, e o time acabou se desanimando.
Mas então Kafka teve uma idéia. No final do treino em cada dia, ele começou a conduzir reuniões nas quais ele fazia duas coisas para intencionalmente aumentar a pressão nos ginastas. Primeiro, se qualquer um falhasse um procedimento, todos tinham que pressioná-lo ou empurrá-lo. Segundo, Kafka pediu ao grupo para instigar e gritar para cada executante. E assim, enquanto um ginasta praticava no cavalo, seus colegas gritavam, ameaçavam agressões físicas, contavam piadas, e até mesmo jogavam meias enroladas nele.
“Meus ginastas começaram a sentir que competir de verdade era uma brisa comparado com os treinos,” disse Kafka. No final, mesmo um campeonato estadual – com câmaras de TV passando e juizes críticos observando cada movimento – era fácil. Lutar através das oposições diárias ensinou os ginastas de Kafka a ter foco e determinação.
Do mesmo modo, os Cristãos precisam usar as pressões da vida para desenvolver o seu poder de foco e determinação para manter o seu foco em Cristo, o que Ele está fazendo com e através deles, e nos tesouros celestiais que os esperam.1
Ao aplicar o princípio de foco em Deus e Sua Palavra, estamos falando então em focar nas verdades das Escrituras referentes a Deus, Sua pessoa, promessas, princípios, planos, e propósitos e que nós não apenas as vemos com claridade espiritual, mas elas se tornam o ponto principal do nosso pensamento, um lugar de atividade mental, correção, influência, e controle sobre nossas mentes, emoções, e vontades. O resultado é que então elas podem fornecer direção e as fontes corretas de confiança. Como resultado de tal foco surgirá então nossa transformação dentro da vontade de Deus, o caráter do Senhor Jesus.
Ilustrações das Escrituras
O princípio de foco é encontrado por toda a Escritura, mas antes de vermos uma sugestão de um processo de refocagem e as conseqüências de se falhar em focar no Senhor, vamos olhar algumas passagens apenas para captar o impacto deste conceito da Bíblia.
2 Coríntios 4:16-18
16 Por isso não desfalecemos; mas ainda que o nosso homem exterior se esteja consumindo, o interior, contudo, se renova de dia em dia. 17 Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória; 18 não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, enquanto as que se não vêem são eternas.
O versículo 16a mostra a motivação: “Por isso” nos leva de volta ao contexto anterior da ressurreição e ministério para o bem dos outros junto com a manifestação da mensagem de Cristo. Estão inclusos neste contexto os problemas de sofrimento, provações, e o perigo da desistência. Viver para os outros freqüentemente irá trazer dificuldades para aqueles que carregam a mensagem. Tudo isto fornece uma grande motivação para a perseverança e para manter o foco no Senhor.
O versículo 16b revela os meios interiores: “Mas ainda que o nosso homem exterior se esteja consumindo, o interior, contudo, se renova de dia em dia.” Estas palavras descrevem a renovação espiritual interior, a transformação interna do coração com esperança, confidência, paz, alegria, determinação, propósito, e significado. Mas como podemos experimentar esta renovação interior?
Os versículos 17-18 nos apontam o método: “Não atentando nós ...” nos aponta para a questão do nosso foco. A nossa necessidade é ter foco. Nós temos que manter nossos olhos no Senhor e nas realidades eternas que se tornam reais se vivemos na Palavra, guardamos e meditamos nela diariamente. “Atentar” é skopew, que significa “prestar atenção em, fixar contemplação sobre, concentrar atenção em.”
Filipenses 3:12-21
12 Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas vou prosseguindo, para ver se poderei alcançar aquilo para o que fui também alcançado por Cristo Jesus. 13 Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante, 14 prossigo para o alvo pelo prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus. 15 Pelo que todos quantos somos perfeitos tenhamos este sentimento; e, se sentis alguma coisa de modo diverso, Deus também vo-lo revelará. 16 Mas, naquela medida de perfeição a que já chegamos, nela prossigamos.
17 Irmãos, sede meus imitadores, e atentai para aqueles que andam conforme o exemplo que tendes em nós; 18 porque muitos há, dos quais repetidas vezes vos disse, e agora vos digo até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo; 19 cujo fim é a perdição; cujo deus é o ventre; e cuja glória assenta no que é vergonhoso; os quais só cuidam das coisas terrenas. 20 Mas a nossa pátria está nos céus, donde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo, 21 que transformará o corpo da nossa humilhação, para ser conforme ao corpo da sua glória, segundo o seu eficaz poder de até sujeitar a si todas as coisas.
“Vou prosseguindo, prossigo” é diwkw, que significa “perseguir, procurar, se esforçar,” ou “correr atrás como numa corrida.” Paulo usa esta palavra duas vezes nesta passagem (vss. 12,14).
“Avançando” é epekteinw significando “se esticar ou expandir para fora ou adiante.” É uma metáfora atlética usada para um corredor nos jogos da antigüidade. Esta palavra retrata o corpo de um corredor curvado para a frente, sua mão estendida em direção ao objetivo, e seus olhos fixados nele.2
“Alvo” é skopos, a forma substantiva de skopew discutida acima em 2 Coríntios 4:18. Skopos se refere a um sinal ou marca no qual focar ou fixar os olhos, o alvo. De novo nós podemos ver a nossa necessidade de focar nossas mentes nas coisas de Cristo, particularmente, nos Seus grandes propósitos para aqueles que crêem.
1 Pedro 1:13-21
13 Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos oferece na revelação de Jesus Cristo. 14 Como filhos obedientes, não vos conformeis às concupiscências que antes tínheis na vossa ignorância; 15 mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento; 16 porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo. 17 E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor durante o tempo da vossa peregrinação, 18 sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, 19 mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo, 20 o qual, na verdade, foi conhecido ainda antes da fundação do mundo, mas manifesto no fim dos tempos por amor de vós, 21 que por ele credes em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de modo que a vossa fé e esperança estivessem em Deus.
Existem três objetivos e exigências neste texto: (a) Existem exigências com relação a carne (versículo 14), concupiscências ou desejos ou cobiça as quais tem suas raízes na ignorância. Porque? Por que elas estão baseadas em crenças erradas, apaixonando-se pelas ilusões de Satanás e da nossa própria carne, achando que tais coisas podem dar segurança, significância, e felicidade. (b) Então existem exigências em relação à Deus que é santo, separado do pecado (versículos 15-16). Finalmente, (c) existem exigências em relação ao mundo e seu sistema de valores o qual vive como se ‘nós apenas estivéssemos por aí uma vez, portanto excite-se o quanto puder.’ Elas nos previnem contra uma vida sem um foco na eternidade (versículos 17-18).
A responsabilidade tão vital para nossa habilidade de realizar estes objetivos pode ser vista no versículo 13.
“Cingindo os lombos do vosso entendimento” significa , “estejam com suas mentes preparadas.” Isto se refere as longas roupas antigas que chegavam até o chão. A prática de fixá-las em volta da cintura com um cinto para mantê-las longe da sujeira era feita para dar liberdade de movimento. Isso era um ato de preparação e pode bem se referir a restauração espiritual e renovação ou limpeza da mente que vem pela confissão de pecados e o estudo das Escrituras.
Tal ação prepara o caminho para o próximo comando, “sede sóbrios.” O verbo aqui é nhfw, o qual, no Novo Testamento, é usado apenas figuradamente e significa “ser livre de toda forma de ‘embriagues’ mental e espiritual – seja excessos, paixão, precipitação, confusão, etc.”3 Ser “sóbrio” significa andar com todas as faculdades sob controle e sem sombra de dúvida é uma alusão para se andar com um julgamento íntegro mentalmente e espiritualmente por intermédio do Espírito de Deus na luz da verdade de Deus (cf. Ef 5:15-18).
“Esperai inteiramente” é, entretanto, o ponto chave. “Esperai” é um imperativo aorista de elpizw, “depositar a esperança em alguma coisa.” Este imperativo aorista sugere urgência. “Inteiramente” (teleiws, “completamente, perfeitamente, no total”) nos diz como. Devemos depositar nossa esperança inteiramente, de uma maneira indivisível. A grande necessidade é permanecermos sinceros com um único foco ao invés das muitas distrações do mundo a nossa volta como ilustrado com os ginastas de Kafka mencionados acima. Simplesmente não funciona dividir nossa esperança com um olho no Senhor e as coisas de Cristo e o outro nos detalhes da vida.
Hebreus 12:1-3
1 Portanto, nós também, pois estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, 2 fitando os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé, o qual, pelo gozo que lhe está proposto, suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado à direita do trono de Deus. 3 Considerai, pois aquele que suportou tal contradição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos canseis, desfalecendo em vossas almas.
O “portanto” do versículo um (Grego, toigaroun, uma palavra de ligação introduzindo uma dedução) leva os leitores de volta a exposição precedente. Alguns chamam o capítulo onze de o “Hall da Fé” por causa de seu testemunho aos muitos santos do Antigo Testamento que viveram pela fé. O autor os retrata como “uma grande nuvem (nefos, um aglomerado de nuvens ao invés da mais simples nefelh, uma única nuvem) de testemunhas nos rodeando.” Estas testemunhas fornecem um testemunho constante à vida de fé o qual permanece como um incentivo para nós corrermos com perseverança a corrida que Deus estabeleceu para cada um de nós independentemente das dificuldades.
Mas existem sempre impedimentos ou obstáculos para se correr com perseverança com o objetivo em vista, a saber, o pecado, e especificamente, o pecado de se falhar em acreditar nas promessas de Deus. Assim como um corredor treina duro, restringe a sua dieta, e se desnuda em preparação para a corrida, também nós temos que nos livrar das coisas que nos impedem. Mas como podemos fazer isto? Existe alguma dica nesta passagem? O versículo dois nos aponta o caminho.
“Fitando” ou “olhando” é um particípio adverbial do verbo, aforaw, “desviar o olhar e fixar em direção a alguma outra coisa.” Podemos traduzir, “desviando o olhar e fixando-o em Jesus.” Nossa tendência é focar em objetos errados na vida. Como Ló em Gênesis 13, podem ser tesouros terrenos, ou podem ser nossos problemas e dor, mas aqui nos é dito, se queremos ser capazes de correr com perseverança, nós temos que tirar nossos olhos destas coisas que causam distração como valores errados ou como nosso sofrimento ou luta. E nós fazemos isto focando nossos olhos no Senhor que é o Autor e Consumador da fé. Ele é o nosso Exemplo e Professor.
Como, então, Ele suportou o que Ele tinha que sofrer? Embora Ele desprezasse a vergonha da cruz, Ele manteve os Seus olhos focados no objetivo final, o que pode ser visto nas palavras, “o qual, pelo gozo que lhe está proposto, suportou a cruz.”
Tão importante é esta verdade, que o versículo 3 continua o conceito de foco e pensamento correto. “Considerai, pois aquele que suportou tal contradição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos canseis, desfalecendo em vossas almas.” “Considerai,” um imperativo aorista sugerindo urgência, é a palavra Grega analogizomai, um termo matemático significando, “calcular, computar, comparar, pesar.” Existe neste comando uma chamada para se olhar o resultado final da fé do Salvador. Ao fixar a contemplação Nele, se deveria balancear ou pesar a glória e os resultados que se seguiram (assentado à direita do trono de Deus vitorioso sobre o pecado, Satanás, e a morte) contra o tremendo custo (a morte de Cristo).
Conseqüências
de um Foco Errado
Enquanto um foco correto conduz ao progresso, perseverança, e crescimento, a conseqüência de um foco errado é uma queda em espiral. Como auxílio a memória eu usarei quatro palavras para ilustrar a queda em espiral quando nosso foco está errado: (a) concentração no problema, (b) murmuração pelo problema, (c) plano ou reação para resolver o problema, e (d) conformado e controlado pelo mundo, o que invariavelmente ocorre ao invés de ser transformado na imagem de Cristo. Nós ilustraremos estes passos olhando a história dos Israelitas em Números 11-13. Mas primeiro, pode ser bom visualizar todo o processo através do seguinte gráfico.

Passo Um:
Concentração no Problema
Números 11:1-6 Depois o povo tornou-se queixoso, falando o que era mau aos ouvidos do Senhor; e quando o Senhor o ouviu, acendeu-se a sua ira; o fogo do Senhor irrompeu entre eles, e devorou as extremidades do arraial. 2 Então o povo clamou a Moisés, e Moisés orou ao Senhor, e o fogo se apagou. 3 Pelo que se chamou aquele lugar Taberá, porquanto o fogo do Senhor se acendera entre eles. 4 Ora, o vulgo que estava no meio deles veio a ter grande desejo; pelo que os filhos de Israel também tornaram a chorar, e disseram: Quem nos dará carne a comer? 5 Lembramo-nos dos peixes que no Egito comíamos de graça, e dos pepinos, dos melões, dos porros, das cebolas e dos alhos. 6 Mas agora a nossa alma se seca; coisa nenhuma há senão este maná diante dos nossos olhos.
A reclamação e murmuração dos Israelitas revelava a sua falta de fé, a qual é freqüentemente o produto de um foco errado (11:4-6). Quando nós começamos a reclamar sobre nossas situações difíceis ou apuros é porque normalmente o nosso foco não está no Senhor mas em nossos problemas, nos detalhes da vida, e na prosperidade de outros. Normalmente isto envolve algo que nós pensamos que deveríamos ter mas não temos e, portanto, Deus não deve realmente nos amar. Nós nos sentimos como se Ele nos tivesse tratado injustamente ou nos dado apenas o pedacinho final da vareta.
Mas existe um outro problema. Nossa falta de fé e foco errado é também o produto de crenças erradas. Por exemplo, nós pensamos que se tivéssemos mais dinheiro, uma casa maior, um trabalho melhor, melhor saúde, ou alguma mudança física visível, etc., nós seriamos felizes, ou estaríamos satisfeitos, ou seguros, ou seriamos mais significantes ou importantes.
As pessoas tem duas necessidades básicas percebidas na vida, segurança e significância. A crença falsa é que nossas segurança e significância são encontradas nos detalhes da vida (posição, poder, prazer, possessões, prestígio, etc.) ao invés de no Senhor. Então elas focam nestes detalhes e se tornam ingratas, insatisfeitas, e entediadas com as coisas espirituais ou os propósitos de Deus. Deus alimentou Israel com o mana para discipliná-los e treiná-los de modo a que eles pudessem compreender alguma verdade importante (Dt 8:1-5), mas o seu foco e desejo era apenas no que estava faltando e pensavam que precisavam, e então eles reclamavam.
Por favor, observe que eles não podiam estar reclamando sobre: (a) A ausência da perfeita provisão de Deus e vontade – vs. 6; nem (b) a ausência da presença pessoal de Deus – vs. 20; nem (c) a ausência do propósito sagrado de Deus – vs. 20; nem (d) a ausência do poder soberano de Deus – vs. 23. Estas questões nunca são o problema. Deus é sempre perfeito e fiel em Seu lidar conosco. Ele sempre sabe o que é melhor para nós e está perfeitamente habilitado para tratar qualquer situação independentemente de como nós a vemos.
O mana era uma comida perfeita e era precisamente o que Israel precisava naquele momento. Não era uma comida que causava tédio. Podia ser cozinhado de várias formas. Era fibroso e saudável. Era maravilhosamente nutritivo e cheio de vitaminas. Deus não o teria fornecido de outro forma. Ele também fornecia uma imagem espiritual perfeita, pois falava da pessoa de Jesus Cristo, o pão que desceu do céu, o Único que pode dar a vida e vida em abundância. Ele também tinha um propósito espiritual perfeito (cf. Dt 8:3). Mas porque o povo não tinha os seus olhos no Senhor, porque eles pensavam que felicidade e significado vinham de coisas como pepinos, eles o viram como um alimento tedioso e se tornaram ingratos por esta comida miraculosa de Deus.
A essência da palavra de Deus para Israel no versículo 20 é alguma coisa assim: “Você pensa que o seu problema é falta de carne. Ok, Eu lhes darei carne até que salte de vossas narinas e vocês verão que ela também se tornará repulsiva para vocês.” Deus está dizendo que eles ficariam mais entediados com ela do que com o mana porque o problema não era o mana. O problema não era falta de carne; o problema não era falta de peixe; o problema não era falta dos condimentos do Egito como alho-poró, melões, pepinos, cebolas, e alho.
O versículo 20, “porquanto rejeitastes ao Senhor, que está no meio de vós, e chorastes diante dele, dizendo: Por que saímos do Egito?” claramente nos mostra que o seu problema era espiritual. Eles rejeitaram o Senhor e Seu plano e propósito para as suas vidas como o Seu povo. Eles foram escolhidos para representá-lo perante as nações. Dizendo claramente, existia falta de fé, descrença no que Deus estava fazendo; eles falharam em focar na pessoa de Deus, a Sua presença e poder, e nos propósitos de Deus para eles como o seu povo escolhido (cf. Ex 19:4-6). Para se focar no Senhor são necessárias crenças corretas e a aplicação de verdades específicas, a saber aqueles cinco conceitos vitais sobre Deus (Sua pessoa, promessas, princípios, propósitos, e planos), às várias situações que Deus permite na vida de alguém.
Aparentemente, seguindo o pedido do povo (Dt 1:22), o Senhor deu a Moisés o comando para enviar espias na terra para investigar e aprender de suas condições (Nm 13-14). Deus concordou com o seu pedido porque a fé precisa de conhecimento dos fatos de modo a que os problemas possam ser entregues ao Senhor. Um homem nunca confia no Senhor até que ele aprende que ele não pode salvar a si mesmo. Nós andamos pela fé, não pelo que se vê. Mas ao mesmo tempo, a fé não significa estar cego aos problemas. É importante que nós olhemos os problemas bem de frente com nossos olhos, e então, pela fé, confiemos em Deus para as soluções não vistas. A fé olha para os problemas, mas ela não permanece focada neles. A fé muda o foco para o Senhor.
Provérbios 3:5-7 Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. 6 Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. 7 Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal.
Quando nós não nos focamos no Senhor e respondemos em fé às situações e tensões da vida, uma série de eventos começam a se desenrolar que levarão a conseqüências sérias a menos que interrompidas pela refocagem (este processo será esclarecido abaixo). Padrões de comportamento neuróticos ou errados nunca são na verdade o resultado dos problemas que enfrentamos. Eles derivam de um processo descendente, de queda, porque o problema é tratado erradamente através de um foco errado. No ciclo descendente nós nos movemos do problema para uma resposta falha (pecaminosa), causando através disso uma resposta falha adicional a qual por sua vez causa outra resposta falha e assim por diante. Este processo descendente eventualmente nos escraviza, resultando em acordo e conformidade ao mundo.
Provérbios 5:21-22 Porque os caminhos do homem estão diante dos olhos do Senhor, o qual observa todas as suas veredas. 22 Quanto ao ímpio, as suas próprias iniqüidades o prenderão, e pelas cordas do seu pecado será detido.
Em Números 13 nós temos a história dos dez espias que retornaram com o seu relatório das condições da terra, porém era um relatório maligno. O “contudo” em 13:28 destaca isto como um momento decisivo. Esta é a primeira resposta errada que consistia em concentrar no problema. Os espias começaram a focar os corações das pessoas nos problemas gigantescos da terra, os Nefilins e as cidades fortificadas. O foco aqui é claramente nos problemas ao invés de no Senhor. O fiel Calebe procurou mudar esta situação com um foco positivo, lembrando-os que eles seriam bem capazes de superar os problemas através do poder de Deus (vs. 30), mas ao invés de ouvi-lo, os espias permaneceram focados ou concentrados nos problemas e o coração do povo derreteu.
Note o completo contraste no versículo 31-32, “Disseram, porém, os homens que subiram com ele: ‘Não poderemos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nós.’ Assim, perante os filhos de Israel infamaram a terra que haviam espiado.” Aonde estava o seu foco? Estava em sua inabilidade ao invés de na habilidade de Deus e promessa. Na verdade eles eram incapazes, mas isso nunca pode ser a razão para duvidar ou se rebelar contra o propósito de Deus. Isso é, contrariamente, uma razão para se ter fé na pessoa de Deus e Suas promessas. Note nos versículos 32-33 que a ênfase é ainda no seu foco e suas desastrosas conseqüências, “...éramos aos nossos olhos como gafanhotos; e assim também éramos aos seus olhos.”
Um foco errado conduz a uma série de sérias conseqüências: (a) Ele cega a visão da provisão ou da graça de Deus. Eles perderam a visão da fertilidade da terra (cf. vs. 27). (b) Ele magnifica ou aumenta o problema. Eles viram todos na terra como gigantes e eles mesmos (o povo redimido do Deus todo poderoso) como gafanhotos. Isto é como olhar pelo lado errado do telescópio. E (c) ele cega a visão da pessoa de Deus, causando falta de fé em Sua pessoa, plano, princípios, promessas, e propósitos.
Passo Dois: Murmuração
Na resposta do povo vista em Números 14:1-3 nós temos uma ilustração de um dos produtos de um foco errado, murmuração. Se você lembrar, a murmuração também pode ser observada na reclamação do povo em Números 11:1.
Números 14:1-3 Então toda a congregação levantou a voz e gritou; e o povo chorou naquela noite. 2 E todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e Arão; e toda a congregação lhes disse: Antes tivéssemos morrido na terra do Egito, ou tivéssemos morrido neste deserto! 3 Por que nos traz o Senhor a esta terra para cairmos à espada? Nossas mulheres e nossos pequeninos serão por presa. Não nos seria melhor voltarmos para o Egito?
Imediatamente, com seus olhos no problema, o povo ficou zangado com Deus e sua reclamação pelo que Ele estava fazendo foi mostrada pela sua murmuração contra Deus (cf. Ex 16:8), os Seus propósitos para eles, e contra a liderança que Deus lhes havia dado, Moisés e Arão. Aqui estava o segundo passo na espiral descendente. Quando nós mantemos nossos olhos na fonte do problema e falhamos em rapidamente refocar nossa atenção no Senhor, nós logo começamos a desenvolver murmuração a qual regularmente se manifesta em reclamação ou resmungos. Ocupação com o problema desenvolve maus sentimentos e atitudes erradas, ambos contra a fonte da irritação ou sofrimento e contra Deus e os propósitos que Ele está procurando realizar através do problema. A nossa murmuração pode vir na forma de inveja, ciúme, raiva, amargura, ressentimento, ou depressão, mas independentemente disso, nós começamos a ver o problema de um modo negativo ao invés de como uma oportunidade para ver Deus agir em nossas vidas ou na vida de outros. Nós murmuramos ou sentimos revolta pelo que Deus está fazendo. Nós duvidamos da Sua sabedoria, Seu propósito, e Sua bondade (cf. 14:2-3). A revolta pelo problema freqüentemente se manifesta em sentimentos como, Deus não sabe o que Ele está fazendo, ou como Deus pôde fazer isto comigo ou com a pessoa que eu amo? Deus não deve realmente nos amar. Ele simplesmente nos trouxe aqui para nos matar. Com esta atitude e condição espiritual, a alma humana naturalmente vai para a sua próxima ação lógica, alguma forma de auto preservação via soluções do próprio homem.
A cura para tal revolta no final das contas nunca está em como nós vemos os problemas, mas em nosso foco, em nossa visão de Deus. Nós realmente acreditamos que Deus é perfeito, que Ele não comete enganos? Nós realmente acreditamos que Deus tem os nossos melhores interesses em mente? Nós acreditamos que a frase de Jeremias 29:11 é verdadeira para nós, a qual diz, “Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança.”? Nós realmente acreditamos que Deus não pode fazer nada errado, que Ele tem infinita sabedoria e sabe o que Ele está fazendo? Tudo isto se reduz a duas questões em relação ao nosso foco e nossa fé. Nós realmente acreditamos que Deus é bom e cheio de sabedoria ou onisciente?
Tiago 1:2 nos diz para termos grande gozo quando passarmos por várias (muito coloridas) provações da vida, porém mais tarde nessa passagem, versículos 16-18, Tiago chama nossa atenção para a questão da bondade de Deus.
Tiago 1:16-18 Não vos enganeis, meus amados irmãos. 17 Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação. 18 Segundo a sua própria vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas.
Primeiro, ele nos adverte contra os enganos de nosso próprio coração ou pensamento errado que pode olhar as provações da vida de uma forma errada. Assim como uma resposta correta para as provações irá resultar em crescimento e maior maturidade espiritual, uma resposta errada seja para provações ou tentações irá resultar em declínio espiritual e pode no final das contas resultar em morte física ela mesma. Para uma ilustração de morte física compare 1 Coríntios 11:28-32.
Segundo, por causa da imutável bondade que não muda de Deus, Ele só pode dar boas dádivas. Independentemente do que a vida traz pela nossa perspectiva, nós nunca devemos nos perguntar se o que nós recebemos de Deus é bom ou não. Nem todas as coisas são boas, é claro. Algumas são produto do pecado ou de Satanás, mas Deus, em Seu amor paternal e bondade imutável, trabalha todas estas coisas para o bem (Rm 8:28-29).
Terceiro, por causa da natureza de Deus como o Pai das luzes, as Suas dádivas são o produto de um amor de Pai, sempre para nosso bem. O Salmista estava confortado por este elemento do cuidado de Deus quando ele escreveu, “Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem.” (Sl. 103:13). E o Salvador disse,
Mateus 7:7-11 Pedí, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á. 8 Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á. 9 Ou qual dentre vós é o homem que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? 10 Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente? 11 Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhas pedirem?
Finalmente, mantendo o Seu caráter imutável e amor paternal, as Suas dádivas são constantes, “descendo dos céus” para nós continuamente. “Descendo” está no presente o que realça as dádivas de Deus como um padrão contínuo da bondade de Deus.
Passo Três: Plano
Observe as ações do povo em Números 14:3-4; 10, e 39-45. Tais ações ilustram a próxima progressão para baixo e natural – plano ou reação. Eu estou usando a palavra planejar no sentido de “inventar, tramar, maquinar, ou planejar com inteligência humana e ingenuidade para resolver um problema ou alcançar uma necessidade.” Nós vemos demonstrado um remédio humano planejado. Eles começaram a procurar suas próprias soluções em rebelião ao chamado de Deus e propósitos (14:3-4). Observe o seu pensamento planejando aqui. “E diziam uns aos outros: Constituamos um por chefe o voltemos para o Egito.” (vs. 4). Isto ilustra como nós estamos constantemente prontos para procurar caminhos para nos defender e escapar de nossos problemas com nossos próprios dispositivos humanos e proteções. Nós fugimos para evitar as pessoas ou o problema ou nós podemos procurar mudar nosso ambiente de algum modo. Então, as pessoas tipicamente mudam de igreja, de trabalho, de escola, de esposa ou marido. Nós somos tão inteligentes em dar desculpas e racionalizar nossa situação em uma dúzia de formas diferentes que parecem tão convincentes e lógicas para nós, especialmente em vista do problema. Observe o que as pessoas disseram, “Nossas mulheres e nossos pequeninos serão por presa. Não nos seria melhor voltarmos para o Egito?” (14:3). Ou nós podemos revidar em vingança ou retaliação ou como uma defesa para proteger nosso ego super sensível. Ou nós podemos criticar ou diminuir alguém porque nós estamos tentando proteger nossa preciosa auto imagem ou posição.
Passo Quatro: Conformado (Controlado)
Com nossos olhos longe do Senhor e vivendo por nossas próprias soluções arquitetadas, nós nos movemos para uma posição onde, em muitas formas, estamos fora do controle de Deus e ficamos controlados pela carne, ou pela situação, ou aqueles a nossa volta, ou por todos acima. Em outras palavras, nós estamos andando pelo que se vê ao invés de pela fé e o Espírito fica extinguido e entristecido (Ef 4:30; 1Ts 5:19). Aqui, então, está o próximo passo lógico e descendente. Como Provérbios nos previne, nós nos tornamos controlados pelas cordas de nosso próprio pecado (cf. Pv 5:22). O desejo deles de apedrejar Josué e Calebe ilustra o quão fora de controle nós podemos ficar quando não estamos andando em fé com nossos olhos no Senhor (cf. 4:10). Nós resistimos a liderança ordenada de Deus e buscamos controlar as coisas com nossas próprias mãos (vs. 10). Então, quando nossa estupidez fica evidente, nós podemos buscar fazer as coisas funcionarem contra a vontade de Deus através de nossos próprios esforços (cf. vs. 39). Em outras palavras, nós começamos a agir de acordo com o mundo. Ao invés de usar os problemas como uma ferramenta para crescimento e transformação, nós nos tornamos conformados pelo mundo e sua forma de lidar com a vida.
Refocando no Senhor
Com esta imagem negativa em mente, quais são os passos bíblicos para se ter um foco positivo ou para cima, o foco da fé na graça e amor de Deus? Como nós podemos refocar nossas provações e problemas Nele de modo a que elas possam se tornar em fontes de bênçãos e crescimento para nós mesmos e os outros. Como o Salmista escreveu: “Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos” (Sl 119:71).
Quando confrontado com um problema, uma provação, uma irritação, uma aflição, ou alguma coisa difícil, o problema testa a nossa fé e tende a nos distrair de um foco orientado a Deus. Nós somos então confrontados com uma escolha, a escolha de onde vamos colocar nosso foco e confiança. Sendo assim confrontados, nós podemos também experimentar medo pelo que poderia acontecer à nossa reputação, aos nossos direitos, ou à perda de alguma coisa a qual nos apegamos para ter segurança ou felicidade. Com a possibilidade de tal perda vem a tentação de ficarmos irritados a qual pode se manifestar em forma de amargura e ressentimento e em culparmos e reclamarmos. Portanto, um foco errado irá afetar também nossa capacidade de amar e mostrar paciência para com as pessoas.
Como, então, nós podemos lidar com este dilema? Nós podemos buscar resolver o problema através de alguma forma de auto-proteção como remover nossa afeição ou pela crítica. Ou talvez nós tentemos evitar, ou fugir do problema. Isto pode tomar a forma de se ir fazer compras no shopping ou ceder ao desejo de um bom banana split para acalmar nossos medos ou raiva ou descontentamento com nossas circunstâncias em geral. Outro método é o velho jogo de culpar. Ao invés de aceitar qualquer responsabilidade por nossas atitudes e respostas pecaminosas, como Adão e Eva, nós também tendemos a procurar um bode expiatório ao qual apontar o dedo para longe de nós mesmos. Assim, encontramos a culpa do erro ao invés da cura de Deus.
John Killinger nos conta sobre um diretor de uma liga menor de um time de baseball que estava com tanto desgosto da atuação de seu interceptador central (fielder) que ordenou que ele fosse para a reserva e assumiu a posição ele mesmo. A primeira bola que veio dentro do campo central deu um salto ruim e atingiu o diretor na boca. A próxima foi bem para o alto, e ele a perdeu por causa do brilho do sol – até que ela bateu na sua testa. A terceira foi em linha reta e ele tentou pegar esticando os braços, porém, infelizmente, ela passou por entre suas mãos e estalou em seu olho. Furioso, ele correu de volta ao banco de reservas, agarrou o interceptador central pelo uniforme, e gritou. “Idiota! Você estragou tanto esta posição que nem eu posso fazer alguma coisa com ela!”4
Existe dentro de cada um de nós uma grande propensão para proteções ou encobrimentos. Nós não temos que nos esforçar para isto; pois vem naturalmente. É uma das conseqüências da queda herdada de nossos pais originais, mas é também um dos maiores obstáculos para se viver pela fé e descansar na total suficiência do Senhor e Suas soluções e provisões para as nossas vidas.
Por que isto é assim? Primeiro, culpando alguma outra coisa – pessoas, circunstâncias, nosso modo de ser, até mesmo o demônio – constitui uma de nossas próprias soluções independentes para lidar com a vida. Culpar é realmente o processo de se esconder e jogar sobre os outros, ou se encobrir e repreender. Nisto tudo nós ainda temos um foco negativo porque estamos vivendo por nossos próprios remédios ou artifícios. Porém, em segundo lugar, e mais importante, isto constitui um grande obstáculo à fé porque uma das coisas que nós mais encobrimos é nosso compromisso em lidar com a vida por nossos próprios métodos auto protetores. Ao invés de nos atirarmos na graça de Cristo e Sua total suficiência, nós pegamos tudo com nossas próprias mãos.
Quando fazemos isso, estamos deixando a bola cair. Não é a primeira vez e certamente não será a última. Portanto, o que devemos fazer? Como nos recuperar? Com este foco negativo e descendente em mente, vamos dar uma olhada no foco positivo e ascendente. De novo nós temos quatro palavras que descrevem o processo bíblico da visão positiva ou para cima. Mais uma vez, para uma visão geral, observe o seguinte gráfico:

Passo Um: Confissão
Um dos passos mais importantes e fundamentais para o foco positivo tão essencial para se viver pela fé é a confissão e o tipo de confissão que vai na raiz de nossos problemas. Naquele grande Salmo de confissão onde Davi estava procurando restabelecer sua relação com o Senhor, Davi escreveu: “Eis que desejas que a verdade esteja no íntimo; faze-me, pois, conhecer a sabedoria no secreto da minha alma” (Sl 51:6).
Por “verdade” Davi estava se referindo a franqueza e honestidade no homem interior – o oposto de nossas proteções ou defesas. A palavra “íntimo” representa a palavra Hebraica tuchot que vem do verbo tuach significando “caluniar, sujar, recobrir, revestir, encobrir” (cf. Ez 13:10-15; 22:28). As palavras “no secreto” (um particípio do verbo satam, “fechar, calar, manter fechado”) literalmente significam “fechado, selado” como em uma câmara fechada. A questão é, Deus quer que Sua sabedoria, a verdade da Palavra e as realidades de Cristo, avancem naqueles lugares do nosso coração ou mente que nós fechamos para as reais questões que nós precisamos enfrentar. Estes são os lugares secretos os quais estão freqüentemente encobertos ou manchados com nossas racionalizações e desculpas. Deus quer que conheçamos a Sua sabedoria nos lugares mais profundos de nossas mentes, não apenas nos pensamentos de nossa vida consciente, mas em nosso subconsciente. Aí é onde muitas de nossas estruturas de pensamento, muitas das quais são falsas, e nossas estratégias independentes repousam escondidas. Elas se ocultam logo abaixo do nível consciente de nossas mentes do mesmo modo que a porção submergida de um iceberg, mas são estas grandes áreas escondidas as responsáveis por muito do que fazemos e como agimos.
São nestes lugares de teste, algumas vezes chamados de salas de espera da vida, que nós precisamos parar e refocar, ficar silenciosos perante Deus e examinar as questões chave e pensar sobre o que Deus está fazendo. O processo de refocar, então, freqüentemente começa com a necessidade de um exame honesto seguido por confissão. Em contraste ao jogo de ficar culpando, o primeiro passo é um reconhecimento honesto de nossos caminhos auto dependentes seguido, é claro, de confissão ao Senhor.
Quando nós temos um foco errado, como descrito antes, nós negligenciamos a graça de Deus e nos voltamos para nossas próprias soluções ao invés de Sua generosa provisão. Em Hebreus 12:7-13, o autor nos exorta a conhecer e responder ao fato de que nossas provações são freqüentemente ferramentas de treinamento de Deus para disciplina pelas quais Ele procura produzir o fruto de paz e justiça, um caráter Cristão forte e maduro.
Hebreus 12:7-13 É para disciplina que sofreis; Deus vos trata como a filhos; pois qual é o filho a quem o pai não corrija? 8 Mas, se estais sem disciplina, da qual todos se têm tornado participantes, sois então bastardos, e não filhos. 9 Além disto, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e os olhávamos com respeito; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, e viveremos? 10 Pois aqueles por pouco tempo nos corrigiam como bem lhes parecia, mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. 11 Na verdade, nenhuma correção parece no momento ser motivo de gozo, porém de tristeza; mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos que por ele têm sido exercitados. 12 Portanto levantai as mãos cansadas, e os joelhos vacilantes, 13 e fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que é manco não se desvie, antes seja curado.
O sofrimento, não importando a causa, mesmo quando o propósito principal é manifestar o poder de Deus para os outros, é uma ferramenta, um meio de treinamento que Deus usa na vida do crente que está sofrendo para crescimento espiritual e para a experiência de Sua justiça. Nós podemos suportar tal sofrimento apenas se focarmos nossos corações no Salvador (12:2-3). Entretanto, o autor estava ciente da tendência à fraqueza espiritual nos seus leitores, e em vista da vitória do Senhor Jesus, o consumador da fé, e o propósito paternal de Deus no sofrimento, ele os encorajou a renovar as suas forças (literalmente, “colocar ereto, tornar reto novamente”). Se eles procedessem assim e também fizessem veredas direitas para os seus pés (uma frase figurativa para se voltar ao caminho de Deus de crescimento e o andar pela fé, o foco para cima), eles experimentariam a cura de Deus e crescimento em justiça ou uma mudança a semelhança de Cristo.
Hebreus 12:14-15 Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, 15 tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem (ênfase minha).
A busca da paz com todos os homens assim como o plano de Deus para a santificação pessoal têm que ser vigorosamente perseguidos.5 Falhar em se fazer isto eqüivale a negligenciar a graça de Deus. Mas por quê? Porque sem a graça de Deus para o processo de santificação através da obra acabada do Cristo crucificado e a escola de treinamento através do sofrimento, ninguém verá o Senhor. Mas o que significa “ver o Senhor” ? “Ver” é o Grego $oraw, que pode significar, “experimentar, testemunhar” ou pode se referir a “percepção mental e espiritual.” Neste contexto,
Ver o Senhor significa estar em Sua companhia. Jó, por exemplo, disse, “Mas agora te vêem os meus olhos” (Jó 42:5). Este paralelo é preciso. Como resultado da disciplina divina Jó chegou a “ver” o Senhor. O escritor de Hebreus, imerso no Velho Testamento como ele estava, aparentemente tinha esta passagem em mente.6
Quando nós falhamos em buscar a santificação de Deus e falhamos em nos apropriar de Sua generosa provisão para isto, nós entristecemos o Espírito de Deus (Ef 4:30) e então levantamos barreiras para ter comunhão com Deus e os homens (Is 59:2; Pv 15:1; 25:23). Nós impedimos ou reprimimos o Seu poder e resposta à nossas orações (Is 59:1; Sl 66:18; 1Ts 5:19) e também os Seus propósitos através das provações (Sl 119:67,7,11; Rm 8:28-29; Nm 14:22-24; Tg 1:2-4; 1Pe 1:6).
Vital ao processo de santificação é a confissão por causa da sua natureza restauradora. “Confessar” é a palavra Grega @omologew, “dizer a mesma coisa, concordar com,” e então, “reconhecer, confessar.” A palavra Hebraica para “confessar” é yadah que originalmente significava “jogar ou arremessar,” e do ato de um braço estendido, ela veio a significar “apontar para.” Assim, ela veio a significar “apontar, reconhecer, confessar,” ou “louvar, agradecer.” A confissão enfatiza o princípio de “reconhecimento” e “declaração de um fato, seja bom ou ruim.” (Compare estas duas passagens chave: 1 João 1:9 com 2:1 e Provérbios 28:13.)
Ryrie escreve sobre a confissão: “É falar a mesma coisa sobre o pecado que Deus fala. É ter a mesma perspectiva naquele pecado que Deus tem. Isto tem que incluir mais do que simplesmente ensaiar aquele pecado. Portanto, confessar inclui uma atitude de abandonar aquele pecado.”7
Propósitos para a Confissão
Existem vários propósitos para a confissão: (a) a confissão traz perdão e restauração da companhia de Deus (1Jo 1:9); (b) a confissão restaura o controle ou poder de Deus na vida do crente (Ef 4:30; 5:18; 1Ts 5:19); (c) a confissão fornece a reconciliação com o homem se nós tivermos ofendido alguém, e isto pode incluir a necessidade de restituição (Mt 5:23-24; Lc 19:8-10); (d) a confissão previne ou termina a disciplina divina pelo pecado (1Co 11:27); (e) a confissão promove contenção e resistência contra padrões pecaminosos (Rm 8:13; Gl 5:16); e (f) uma vez que a confissão nos restaura a companhia de Deus, ela nos possibilita a avançar no processo de santificação ou crescimento espiritual e utilidade para o Senhor (cf. Tg 1:21; 1Pe 2:1; 2Tm 2:21; 3:16-17).
Mas a confissão, pelo projeto de Deus, tem que ir além de mera externalidade. Nós todos precisamos ver e lidar com aquelas questões do coração que tão dramaticamente afetam nossos relacionamentos com o Senhor e com os outros. Até que haja uma confissão honesta e profunda das questões vitais, vai existir pouca dependência verdadeira no Senhor e nós simplesmente não estaremos nem prontos nem capazes de refocar nossas mentes Nele de modo a podermos continuar amadurecendo. Então quais são os objetos de confissão e estas questões vitais?
Os Objetos, as Questões Vitais de Confissão
O que nós temos que reconhecer e confessar não é pouco. De fato, isto nos leva ao coração de nossa caminhada com Deus e nossa capacidade de mudar. A mudança ou transformação é o objetivo de todo o processo. Na verdade, nós não temos escolha no fato da mudança, apenas no tipo de mudança que ocorre. Uma confissão honesta que vá ao cerne, de modo que ela toque as questões escondidas do coração, forma a chave para a mudança bíblica verdadeira.
Nós temos que reconhecer que o caráter não pode se desenvolver positivamente sem se trabalhar nas questões escondidas do coração através de confissão honesta e arrependimento. Se nunca se lidar com estas questões vitais, nós podemos adquirir a verdade bíblica e mudar por fora até um certo nível de modo a nos conformarmos ao que é esperado, mas nossos sutis caminhos auto dependentes, auto protetores e estratégias continuarão intocados e não desafiados e são estes que nos fazem viver independentemente do poder de Deus. Até que nós reconheçamos estes pecados, nós continuaremos a viver por nossos próprios artifícios de auto suficiência. São estes que são tão destrutivos ao nosso caminhar com Deus, a nossa habilidade de obedecer, e aos nossos relacionamentos com as pessoas. Quando desafiados pela pregação da Palavra ou através de contatos pessoais com os outros, nós iremos fazer uma destas duas coisas: ou nós vamos nos tornar robôs que se conformam exteriormente a algum sistema religioso porque queremos que o grupo nos aceite e goste de nós ou nós vamos simplesmente nos rebelar.
Onde começa a confissão honesta? Qual é o fundamento para o tipo de confissão que vai até as questões verdadeiras do coração as quais nos afetam negativamente em nosso relacionamento com Deus e as pessoas?
(1) Existe em primeiro lugar o problema da grande mentira de que o homem não precisa de Deus e pode se tornar como deus ele mesmo (Gn 3:1-7; 2Ts 2:10-11 [lit. “a mentira”]). Por causa da queda e o seu impacto no estado espiritual do homem, existe entrelaçada em nossa constituição uma forte propensão para a auto suficiência, a qual é simplesmente um comprometimento pecaminoso de tentar lidar com a vida através de nossos próprios recursos e por nossas próprias soluções.
Este comprometimento pecaminoso à estratégias pessoais foi visto imediatamente depois da queda nas (a) folhas de figueira, no (b) ato de se esconderem, e nas (c) desculpas e culpa que ambos Adão e Eva se enrolaram assim que eles pegaram do fruto da árvore. Nestas ações nós vemos as conseqüências de morte espiritual e o grau de alienação de Deus que é ocasionado.
O homem precisa de Deus profundamente. Nós fomos criados para conhecer, amar, e servir à Deus e viver dependendo de Seus recursos e suprimento, mas na terrível alienação e morte espiritual causada pelo pecado, o homem procura viver pela mentira de Satanás, a mentira de que o homem não precisa de Deus, de que ao escolher o seu próprio caminho, ao usar os seus próprios recursos, ele pode ser como Deus, independente. Nossas soluções para os problemas da vida, independentemente da forma que eles tenham, resultam da ficção de que nós podemos fazer a vida funcionar sem total dependência em Deus.
Qualquer outra crença sobre o caminho para a significância e satisfação do que total dependência no Senhor irá imediatamente induzir nossas mentes mundanas e fúteis a sugerir nosso próprio rumo para conseguir e isto sempre nos conduz a esperanças ilegítimas e idólatras (Rm 1:18, Ef 4:17). Romanos 12:2 nos diz, “e não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente.” A renovação da mente inclui descobrir e mudar aquelas estruturas íntimas de nossas crenças que promovem um viver auto suficiente por nossos próprios mecanismos protetores, colocando no lugar uma estrutura de fé que requeira absoluta dependência no Senhor (cf. 2Co 10:3-5).
A verdadeira confissão vai além das questões superficiais. Primeiro, a confissão inclui o reconhecimento da presença destes caminhos auto protetores. Paulo os define como armas da carne levantadas contra o conhecimento de Deus (2Co 10:5). Segundo, a confissão bíblica os reconhece como pecaminosos e inválidos.
Note que ambos os extremos abaixo podem ilustrar nossas tentativas de controlar a vida sem Deus.
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O Introvertido |
O Extrovertido |
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Medo de decisões, nunca assume riscos. |
Destemido, decisivo, o homem que fez a si mesmo e que pode assumir riscos. |
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Moderado, quieto, parece nunca ficar com raiva. |
Ruidoso, mais afirmativo, freqüentemente mostra sua raiva. |
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Sr. Tímido |
Sr. Dinâmico |
A noção satânica de que, como Deus, nós podemos fazer as coisas serem diferentes ao desejarmos que seja assim, ou ao procurarmos controlar a vida, está na raiz dos problemas do homem e isto é também um dos objetos de confissão mais necessários. Nós tentamos isto fugindo de nossos problemas ou continuando a carregá-los, acreditando profundamente em nós mesmos e pensando positivamente, “Eu (nós) posso fazer isso.” Lembre-se, isto é precisamente o que Israel tentou fazer em Números 14:40-45. Note que embora eles tenham confessado sua incredulidade pecaminosa anteriormente, eles falharam em alcançar a questão vital, vida auto dependente. Eles disseram, “Eis-nos aqui; subiremos ao lugar que o Senhor tem dito; porquanto havemos pecado.” Embora Moisés os tenha prevenido contra tamanha presunção (14:41-43), eles foram adiante sem dar ouvidos, confiando na arma de sua própria força, e foram severamente derrotados pelos Amalequitas e Cananeus (14:44-45).
(2) Nós temos que compreender que a confissão tem que se estender além da superfície até as questões secretas e não vistas do coração. Falhar em fazer isto leva a um externalismo Farisaico. Os Fariseus eram aqueles que expressavam uma superficialidade piedosa, mas Cristo os chamava de sepulcros caiados porque, embora caiados por fora, eles eram corruptos no interior (Mt 6:21; 12:34-35; 15:18-19; Pv 23:7). O pecado tem que ser visto além da parte visível, assim como com a parte visível de um iceberg.
Muitos dos padrões conscientes de pensamento e das ações que nós temos resultam de crenças (conscientes ou inconscientes) que nós desenvolvemos como uma proteção contra um sofrimento ou dor pessoal e para fornecer a segurança, significância ou valor, e satisfação que nós desejamos. Mas quais são estes esforços? Eles representam as nossas tentativas de controlar os nossos problemas independentemente de Deus. Sendo assim, eles são também atos de auto suficiência, atos que interrompem a graça de Deus. Ao reconhecer que nós escolhemos lidar com a vida por nossas soluções identificamos o que tem que ser confessado e rejeitado de modo a podermos voltar para uma total dependência no Senhor através de um foco positivo ou para cima.
De novo, o comportamento de Israel em Números 13 e 14 é uma ilustração clássica e merece ser repetida. Como vimos, eles primeiro procuraram se proteger do seu medo dos gigantes daquela terra por incredulidade ou um foco errado. Depois de escutar o julgamento de Deus (14:26-39), o povo então procurou subir contra os inimigos da nação baseado em sua própria força contrariamente a ordem do Senhor (14:40-45). Enquanto completamente diferentes em ações visíveis, estes atos eram precisamente os mesmos em natureza e nos indicam a questão principal, a raiz do problema com o homem: Buscar viver independentemente, falhando em nos atirarmos por completo na graça de Deus para tudo na vida. No versículo 40, eles confessaram que haviam pecado, mas a sua decisão em lutar com o inimigo contra a determinação do Senhor mostra que eles na verdade nunca lidaram com a questão fundamental de vida independente e total confiança na provisão de Deus.
Nós somos seres racionais criados a imagem de Deus com desejos básicos e um vazio que só Deus pode preencher. Mas por causa da falsidade ou desonestidade do coração humano (Jr 17:9-10; Ef 4:22), os enganos de Satanás (2Co 11:3; 2Ts 2:9-11), e os artifícios enganosos do mundo (Mc 4:19), nós tipicamente inventamos nossas próprias crenças e estratégias pelas quais nós procuramos alcançar nossos objetivos. Embora estas estratégias sejam freqüentemente irracionais e totalmente erradas quando julgadas pela verdade da Palavra de Deus, nós ainda assim nos apegamos a elas. Por exemplo, nós acreditamos que para sermos felizes as pessoas tem que nos tratar do jeito que nós queremos ser tratados. Nós todos desejamos isto, mas isto é realmente essencial para se ter paz interior e alegria? Não!
Quando confrontados com uma pessoa ou situação difíceis, nós imediatamente pensamos em controlar a situação com nossas próprias mãos. Nós bolamos uma estratégia para proteger a nós mesmos ou a nossa opinião revidando, retrocedendo, falando muito, nos gabando de nossas realizações, ou inferiorizando alguém. Mas nisto nós nos iludimos. Tais ações parecem tão certas para nós, mas o seu final é o caminho da morte (Pv 14:12; 16:25).
A nossa confissão precisa ser, “Eu sei, ó Senhor, que não é do homem o seu caminho; nem é do homem que caminha o dirigir os seus passos” (Jr 10:23). “Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o de acordo com a tua palavra” (Sl 119:9). A busca da vida através de nossos próprios esforços tem que ser reconhecida, confessada, e abandonada.
Em outras palavras, se é para a confissão ter um impacto de mudança na vida, ela tem que reconhecer todas as áreas de pecado: pecados de atitude mental tais como pecados da língua, pecados visíveis e pecados de omissão. Ela tem que alcançar além da superfície até o cerne de nosso ser de modo a destruir quaisquer ídolos de autoconfiança ou auto-suficiência que nós tenhamos erigido e nos tornado dependentes para a nossa felicidade, satisfação, segurança, ou significância. Sem isso, nós simplesmente não podemos verdadeiramente voltar para Deus como nosso único refúgio e fonte de vida.
O que Deus usa para nos expor ao nosso pecado? (a) Ele usa a Sua Palavra (2Tm 2:16; Hb 4:12); (b) Ele usa o Espírito Santo (Jo 16:8, 13; Pv 20:27; 1Co 2:11-15); (c) Ele usa as pessoa no corpo de Cristo (Gl 6:1f; 1Ts 5:11; Hb 3:12-13); e (d) Ele usa as provações da vida (Sl 119:67,71; Tg 1:2f; 1Pe 1:6f).
A confissão então, se nós falhamos em responder a uma provação pela fé, é o primeiro passo para se refocar no Senhor e parar o processo de queda. É um ato positivo de fé e vontade que mostra que: (a) eu estou confiando em Deus para perdoar completamente todos os pecados envolvidos em minhas reações erradas, incluindo a negligência da Sua graça e meus mecanismos ou soluções auto protetores, e (b) eu estou confiando em Deus para controlar e me capacitar, através dos princípios que serão discutidos abaixo, a submeter minha vida aos Seus propósitos nas provações ou aflições que Ele permite na minha vida? Nas palavras de 1 Pedro 5:6-7, a confissão é o primeiro passo para me humilhar ao que Deus está procurando fazer através da provação de maneira a que nós também depositemos nossas preocupações Nele.
Passo Dois:
Considere com Alegria
(Tiago 1:2-12)
Um dos fatos básicos da vida que nós todos temos que conviver e aprender a lidar é a realidade da dor e do sofrimento. Nós todos desejamos por uma vida sem provações e dor. Este desejo é natural porque Deus nos criou para o Éden, mas por causa de Satanás e os efeitos da queda em ambos o homem e a criação, nós encaramos provações e irritações, dor e sofrimento.
É duro se ter sofrimento, mas ainda mais duro é compreendê-lo. Nós olhamos as condições do sofrimento em nossas próprias vidas e nas vidas daqueles que nos cercam e vemos muitas coisas que parecem injustas e desnecessárias. Como resultado, nós perguntamos por que? Por que eu? Por que meu filho? Por que? Por que? Por que?
Enquanto o sofrimento nunca é realmente fácil, a Escritura nos dá um número de razões para o sofrimento, o qual, se compreendido, pode nos ajudar através da jornada da vida. Entretanto, embora isto possa diminuir a dor e nos capacitar a experimentar a paz de Deus no meio do sofrimento, conhecer estes princípios nem sempre remove a por. O sofrimento é inerente a uma humanidade caída e pecadora sobrecarregada pelo seu próprio pecado e por poderes demoníacos que nos cercam e provocam sofrimento. Mas o sofrimento é necessário porque é uma ferramenta que Deus escolheu usar para chamar nossa atenção e nos treinar assim como um pai disciplina ao seu filho.
Para um estudo sobre as razões do sofrimento, veja “Why Christians Suffer”(Porque os Cristãos Sofrem) na página da Biblical Studies Foundation na internet na seção Spiritual Life (Vida Espiritual) (www.bible.org).
Atitudes Necessárias nas Provações—A Diretriz (vs. 2)
(1) A Ordem para Obedecer – “Considere com alegria ou grande gozo”
“Considerar” ou “levar em conta” é @hgeomai e significa (a) “contar, calcular, pensar, considerar, concluir, reparar ou observar,” ou (b) “conduzir, guiar, liderar (usado para líderes de igreja e maridos).” Ela é uma introdução aorista e se refere ao início de uma ação, ou seja, começar a pensar de tal modo que leve até a alegria ou gozo. Ela é um imperativo que significa que isto é um comando ou ordem, um mandato bíblico e uma diretriz para se lidar com as irritações e provações da vida. Ela acompanha as palavras “quando você encontrar.”
Quando somos confrontados com uma provação, Tiago está nos dizendo que nós temos que começar aquele sofrimento pensando biblicamente (com a mente de Cristo) de modo que o resultado seja pura alegria ou gozo. Tal qual um bandeirinha que marca um impedimento para um jogador de futebol, nós também devemos dar um impedimento com o ponto de vista de Deus e derrubar quaisquer respostas erradas que poderiam se levantar contra o conhecimento de Deus e Seus propósitos (2Co 10:4-5).
“Grande gozo” é uma frase importante. A ordem das palavras é literalmente, “grande gozo considere, ...” A ênfase está claramente nas palavras “grande gozo.” Tiago não disse apenas, “considere com gozo”, mas “considere com grande gozo.” Uma outra tradução da Bíblia traduz isto como “puro gozo,” gozo ou alegria que é completo ou sem mistura, não apenas “algum gozo” misturado com um monte de más atitudes como ressentimento, desprezo, e dúvida. A palavra “gozo ou alegria” corresponde ao Grego cara, “prazer, alegria, gozo, satisfação,” ou “a causa ou objeto da alegria, deleite, ou felicidade.” Gozo é uma boa emoção evocada por um estado ou possibilidade de bem-estar, sucesso, ou bênção. Na bíblia, ela é uma boa emoção que vem de se pensar e confiar nos benefícios e bênçãos do amor, sabedoria, plano, e propósitos de Deus.
Tiago não está dizendo que não deveria haver dor, aflição ou tristeza nos sofrimentos da vida. Tiago não está dizendo que nós não deveríamos nos magoar ou mesmo experimentar raiva em algumas situações. Ele está dizendo que nós temos que aprender a conhecer o gozo e paz de Deus no meio das provações da vida de tal modo que isto afaste aquelas emoções prejudiciais e atitudes como ressentimento ou amargura, que nos levam a controlar as coisas com nossas próprias mãos. Estas são ações que estão claramente desligadas de e opostas aos propósitos de Deus e a um caráter igual ao de Cristo.
Para ilustrações de sofrimento considere o seguinte: (a) Na vida de nosso Senhor (Hb 12:1-3; 1Pe 2:21-23; Jo 11:33-35; Lc 19:41f; 13:34-35); (b) Na vida de Paulo (Fp 1:12-21; 2:27; 2Co 11:28-29; 4:7-11). Ambos o Senhor e Paulo, vivendo com a mente de Cristo, viram além do imediato em direção a propósitos maiores e tiveram suas mentes focadas em um propósito maior que o seu próprio conforto.
(2) As Pessoas Endereçadas—“meus irmãos”
Tiago se dirige à crentes em Cristo, aqueles que são irmãos e irmãs no Senhor. Enquanto isto mostra o carinho e amor pelos destinatários da epístola, ele certamente vai além disso identificando-os como companheiros que crêem, aqueles nascidos dentro da família de Deus através da palavra da verdade (cf. 1:18). Ao fazer assim, ele nos mostra como os crentes que conhecem Jesus Cristo deveriam agir quando confrontados com provações. Os crentes, por causa de seu relacionamento especial com Deus através de Cristo, têm a capacidade de lidar com as pressões da vida de modo a que aquelas pressões possam ter os resultados antecipados nessa passagem.
(3) O Aspecto de Tempo—“quando vocês encontrarem” “quando passardes”
“Quando passardes” se refere aquele ponto no tempo que nos chama à considerar com grande gozo. As idéias aqui são três: Primeiro, no momento que você se achar em uma provação, a sua necessidade imediata é considerá-la com grande gozo. Demorar nisto nos coloca no caminho de queda. Segundo, “quando passardes” carrega consigo um aviso da certeza com relação as provações e irritações. “Passar ou encontrar” é a palavra Grega peripiptw, “encontrar, passar por, cair em,” e carrega consigo a idéia de cair em alguma coisa e assim se ficar “envolto, cercado, engolfado.” As provações tem um jeito de fazer exatamente isto; elas algumas vezes parecem literalmente nos engolfar. Este verbo é usado em Lucas 10:30 sobre o homem que caiu nas mãos dos ladrões.
As Condições que Requerem Alegria—“várias provações”
“Várias” é poikilos, “muito colorido, diversificado, variado.” Isto chama nossa atenção para a natureza dos sofrimentos e da vida em um mundo caído. As provações vem de várias fontes e são de todos os tamanhos, formas, e tipos. Com relação as fontes elas procedem de nós mesmos, de Satanás, do meio-ambiente, da sociedade, e das pessoas; e com relação aos tamanhos e tipos elas variam de pequenas irritações como um pneu furado, uma pessoa irritante, uma fraqueza pessoal, até o suportar todo um caminho de uma doença terminal, a morte de um ente querido, ou desastres nacionais.
É fácil estar alegre e feliz quando as coisas estão indo bem, quando nós estamos confortáveis e sentindo prazer. Qualquer um pode estar alegre assim. Mas para os Cristãos, tem que haver mais do que isto por causa do que nós conhecemos da Palavra e por causa do que nós temos em Cristo. O plano de Deus para as nossas vidas e o potencial para cada um de nós como crentes em Cristo é que nós deveríamos ser capazes de lidar com qualquer e todo tipo de irritação ou provação independentemente de quão pequena ou quão grande – desde a irritação de um inseto ou a mordida de um mosquito até o fardo de um elefante ou o rugido de um tanque. Através da Palavra de Deus e fé Nele, os Cristãos podem desenvolver a fé para lidar com a vida e sua variedade de provações. Paulo assim fez.
Filipenses 4:11-13 Não digo isto por causa de necessidade, porque já aprendi a contentar-me com as circunstâncias em que me encontre. 12 Sei passar falta, e sei também ter abundância; em toda maneira e em todas as coisas estou experimentado, tanto em ter fartura, como em passar fome; tanto em ter abundância, como em padecer necessidade. 13 Posso todas as coisas naquele que me fortalece.
“Provações” é uma palavra importante e que precisa ser compreendida se nós quisermos captar o cerne desta passagem em Tiago. A mesma palavra Grega se encontra atrás da palavra “provações” em 1:2 e da palavra “tentado” no versículo 13. Os versículos 2 e 3 estão tratando de provações de fora, enquanto os versículos 13-16 tratam dos testes de dentro, do interior, no sentido das tentações para o pecado. A palavra Grega é peirasmos significando “prova, verificação, provação, tentação,” mas quando o contexto está tratando de provações, ele olha para uma provação ou teste direcionado para algum objetivo. O objetivo é que a pessoa testada deveria emergir mais forte, pura, e bem melhor por causa dos testes. A forma verbal, peirazw, significa “fazer prova de, testar, tentar.” A idéia aqui não é aquela da sedução para o pecado, mas um teste que prova a condição do metal ou que o torna mais forte e purifica. Isto antecipa o que Tiago irá dizer no próximo versículo. Por causa do trabalho providencial e soberano de Deus em tudo da vida, nossas provações não são sem propósito. Deus quer que nós entendamos isto e respondamos em fé com alegria porque nós sabemos que fazemos parte de Seus propósitos eternos que vão bem além das temporalidades desta vida.
Nossa tendência natural não é colocar prioridade máxima o tornar-se igual a Cristo no meio de nossos problemas, mas sim em achar felicidade, conforto, e prazer. Nós todos queremos ser felizes mas a verdade paradoxal é que nós nunca iremos ser felizes se estivermos preocupados antes de mais nada em sermos felizes. A nossa preocupação maior em todas as circunstâncias deveria ser responder biblicamente, colocar o Senhor em primeiro lugar, procurar se comportar como Ele iria querer. A verdade maravilhosa é que quando nós devotamos nossas energias à tarefa de nos tornarmos o que Cristo quer de sejamos, Ele nos preenche com alegria ou prazer indescritível e uma paz que ultrapassa de longe o que o mundo oferece.
É fundamental para tal busca a necessidade de conscientemente rejeitar o objetivo de se tornar feliz e adotar o objetivo de se tornar mais como o Senhor. Em nosso mundo moderno hoje a ênfase é em experimentar uma totalidade ou perfeição pessoal, potencial humano, auto-estima, conforto, e a chamada liberdade para ser quem realmente somos, seja lá o que isto significar. Silenciosamente, como um barco a deriva solto de seu ancoradouro, tal objetivo nos carregou para longe do compromisso bíblico de sermos transformados no caráter de Cristo. Hoje, o foco principal é em nosso desenvolvimento como indivíduos o qual carrega consigo a promessa implícita de que experimentando o nosso potencial (ao menos como o mundo vê isto) irá conduzir até nossa felicidade, mas isto é no final das contas uma miragem.
Por causa do que somos e por causa da natureza das provações com todas as suas dores e frustrações, encontrar a alegria verdadeira quando a nossa fé está sob fogo ou quando a vida machuca freqüentemente parece impossível. Como, então, pode uma pessoa encontrar uma alegria ou prazer puros nas provações da vida? Parte da resposta vem de se entender o seguinte:
O Senhor disse, “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14:27). Então em João 16:33 Ele disse, “Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” Nestas duas passagens nós aprendemos duas verdades importantes com relação a paz:
Primeiro, devido a natureza deste mundo caído no qual nós vivemos, um mundo dominado pelo pecado, Satanás (o deus deste mundo), e a morte, todos os homens experimentam tribulação, mas especialmente os crentes que querem viver e ser contados em Cristo. Tribulação e sofrimento são simplesmente realidades absolutas da vida. Embora projetados para o Éden, por causa da queda do homem em Gênesis 3, nós não vivemos em um Jardim do Éden nem no milênio, não ainda. Portanto, nós nunca deveríamos estar surpresos pela tribulação.
1 Pedro 4:12 Amados, não estranheis a ardente provação que vem sobre vós para vos experimentar, como se coisa estranha vos acontecesse; …
Segundo, enquanto paz e alegria não são exatamente sinônimos, eles estão relacionados. Um coração perturbado, um coração sem paz, não é certamente um coração cheio de alegria e nada neste mundo, nem posição, poder, prazer, nem diversão e jogos, serão capazes de dar alegria e paz, ao menos não o tipo destes que podem lidar com os muitos altos e baixos da vida. O mundo tem seus próprios caminhos e meios de procurar paz e alegria, mas eles são um pouco mais que um anestésico projetados para enfraquecer ou encobrir o vazio de uma vida sem a salvação que nos vem em Cristo e um correto relacionamento com Deus através do Salvador.
Nós freqüentemente associamos as palavras provação e sofrimento com doença, dor, ferimento acidental, perseguição física, ou algum outro tipo de trauma físico, e certamente tais coisas são uma parte das provações e sofrimentos da vida. Sofrimento é alguma coisa que machuca, doe, mas é também algo que nos faz pensar. Ele é uma ferramenta que Deus usa para chamar nossa atenção e efetuar os Seus propósitos em cada um de nós. Deus permite tanto prosperidade como adversidade de acordo com Seu próprio sábio conselho e Ele assim faz sem revelar todos os detalhes do que Ele está fazendo.
Eclesiastes 7:13-14 Considera as obras de Deus; porque quem poderá endireitar o que ele fez torto? 14 No dia da prosperidade regozija-te, mas no dia da adversidade considera; porque Deus fez tanto este como aquele, para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele.
Em vista da soberania de Deus, o pregador nos ensina a necessidade de submissão à soberania de Deus. Isto significa que nós devemos aproveitar os bons tempos (regozijar-se) e nos lembrarmos (considerar) nos maus tempos que a adversidade tem os propósitos inescrutáveis de Deus que vão bem além da compreensão humana do homem (cf. 8:17).
Parte da vida de fé é aceitar a prosperidade e adversidade das mãos de Deus sem ser capaz de explicar como tudo irá dar certo para o futuro (v.14; Rm 8:28).8
Claramente, o sofrimento é um fato desta vida que ninguém pode evitar.
Pode ser um câncer ou uma dor de garganta. Pode ser a doença ou a perda de alguém próximo a você. Pode ser uma falha pessoal ou uma decepção no seu emprego ou trabalho na escola. Pode ser um rumor que está circulando no seu trabalho ou na sua igreja, manchando a sua reputação, trazendo tristeza e ansiedade. Poderia ser um relacionamento quebrado com um membro da família ou um amigo. Isto é doloroso, e machuca você profundamente. Isto é sofrimento…
Os seus problemas não são sem sentido, eventos aleatórios, que caem na sua vida sem um propósito e um padrão. Biblicamente, o sofrimento é parte de um processo: Nós sabemos que a tribulação(sofrimento) produz a perseverança, e a perseverança a experiência(caráter), e a experiência a esperança (Rm 5:3-4). Todos nós queremos o produto, experiência(caráter); mas nós não queremos o processo, sofrimento.9
As Vantagens das Provações—O Objetivo (vss. 3-4)
(1) O Fundamento para as Provações é a Compreensão Bíblica—“sabendo que”
A Edição Contemporânea de Almeida (ECA) traduz Tiago 1:3, “sabendo que a prova da vossa fé desenvolve a perseverança.” Esta tradução olha para o versículo 3 como a causa para se considerar com grande gozo ou alegria quando confrontados com provações. “Sabendo” é um particípio adverbial que nos diz como nós podemos considerar com grande gozo. Esta palavra nos aponta para a causa a qual na verdade se torna nos meios. Como nós podemos considerar com pura alegria? Em se compreendendo a verdade concernente ao sofrimento e seus propósitos no plano de Deus. Como Cristãos que marcham sob um tambor diferente, ou deveriam, nós deveríamos considerá-lo com pura alegria ou grande gozo. O fundamento necessário é o conhecimento da Palavra, visão bíblica do plano de Deus e do uso das provações da vida.
“Sabendo” aqui é ginwskw, “perceber, compreender, entender, se dar conta.” Como usada no Novo Testamento e mesmo fora dele, ela significava conhecer de um modo particular ou pessoal. Com esta palavra existe freqüentemente a implicação de se captar a total realidade e natureza do objeto considerado.
(2) A Natureza das Provações – Elas são provas que testam a nossa fé
“Prova, teste” é dokimion, uma palavra Grega diferente da palavra para “provações” acima embora seja um sinônimo. Esta palavra tinha tanto um uso ativo como um passivo. Ativamente, ela era usada como o meio para um teste como com uma fornalha ou panela no processo de refino de um metal projetada para remover os dejetos ou impurezas. Passivamente, ela era usada para o resultado do teste, para o produto, a coisa aprovada como com a cunhagem de libra esterlina ou dinheiro que era genuíno e sem impurezas ou ligas. Ela era usada para o que era puro, valioso, e utilizável como ouro refinado e puro.
O sofrimento é um purificador. Não importando qual a razão, mesmo quando ele não é disciplina divina para carnalidade grosseira, ele ainda é um purificador, pois nenhum de nós irá jamais ser perfeito nesta vida. Todo o conceito de refinar metal ou da purificação do ouro inclui um processo. Não existe tal coisa como um ouro instantâneo. Raramente o sofrimento não revela áreas de carência, fraquezas, atitudes erradas, apatia, indiferença, um espírito de independência, fontes falsas de confiança e felicidade, ou insensibilidade para com Deus e os outros, etc.
As nossas provações, então, são as ferramentas que Deus usa para nos testar. Mas o que exatamente as provações testam? Tiago nos diz que elas testam a nossa fé. Por que a nossa fé? Porque a essência do Cristianismo e da comunhão com Deus nesta vida é a fé. Nós devemos andar pela fé, não pelo que se vê. Enquanto lemos nossas Bíblias, enquanto sentados no aconchego de nossos lares e nossa prosperidade Americana, nós gostamos de pensar diferente, mas o fato é que a fé nunca cresce em um lugar de total segurança, ela não pode. Simplesmente não vai haver ocasião para usá-la. A fé só pode ser testada e se manifestar no meio de uma genuína necessidade – em lugares de desamparo, impotência. Eu acho que foi o poeta, Goeth, que disse, “O talento é formado na solidão, mas o caráter nas tempestades da vida.”
O homem foi criado por Deus, para Deus, e projetado para viver em total dependência Nele. Mas o que revela o pecado do homem e as conseqüências da queda mais do que o compromisso do homem em levar a sua própria vida e viver independentemente através de suas próprias estratégias? Nada! Mais importante ainda, estas estratégias nem trazem o homem mais perto de Deus nem uns com os outros como companheiros seres humanos. Elas fazem exatamente o oposto. Elas afastam o homem ainda mais de Deus e de uns com os outros. Elas alienam assim como visto em nossos primeiros pais, Adão e Eva, que estavam se escondendo, dando desculpas, e culpando os outros imediatamente depois da queda.
Assim como o processo de refino é usado para separar as impurezas do metal puro, também Deus usa as nossas provações para trazer a nossa fé para a superfície e colocá-la para trabalhar. As provações nos forçam a afastarmos as nossas próprias estratégias de independência de modo a que possamos nos reclinar ou nos apoiar no Senhor. De novo, o que são provações? Elas são instrumentos de Deus para nos purificar de toda impureza e queimar seja lá o que esteja inconsistente com a fé e a semelhança a Cristo. As provações, como o calor usado no teste de metais, mostram as condições de nossa fé e os objetos de nossa fé ou confiança. Elas rapidamente revelam as nossas estratégias humanas independentes para a vida, as quais nada mais são do que nossas tentativas de rota para a alegria e a satisfação sem Deus. E ser religioso não significa que se está realmente vivendo pela fé, pois isto pode simplesmente ser uma folha de figueira, um mecanismo de proteção para se viver independentemente de Deus.
O Objetivo de Testar Nossa Fé pelas Provações
(1) O Objetivo Imediato – Perseverança
“Perseverança” é @upomenw, a qual carrega a idéia de permanecer sob o teste a despeito da extensão e do grau de pressão. “Produz” ou “desenvolve” é katergazomai, de kata, “abaixo” e ergazomai, “trabalhar, labor, produzir, executar.” Katergazomai é um pouco mais intenso que a simples forma verbal e significa “efetuar pelo trabalho, concluir, desenvolver, alcançar.” De novo, nós somos lembrados que o sofrimento é um processo. “Sabendo que a tribulação(sofrimentos) produz a perseverança, e a perseverança a experiência(caráter), e a experiência a esperança” (Rm 5:3-4). Existia uma antiga ferramenta chamada “tribulum” que era usada para separar o joio do trigo. A nossa palavra tribulação vem desta palavra.
Assim como um processo, o sofrimento leva um tempo. Por isso, os resultados que Deus procura realizar com o sofrimento requerem tempo e assim também, a perseverança. Enquanto pessoas, nós naturalmente queremos o produto, caráter, mas não o processo, sofrimento. Mas por causa da constituição do homem, nós não podemos ter um sem o outro. Uma das coisas que nós temos que arcar é que as provações da vida são ferramentas que Deus quer usar para realizar os Seus propósitos. Quando nós nos mantemos fugindo ou reagindo às ferramentas que Deus usa, nós impedimos o processo do perfeito trabalho que Deus quer fazer. Mas qual é este trabalho?
(2) O Objetivo de Longo Alcance – Maturidade Espiritual
“E a perseverança tenha a sua obra perfeita,” ou seja, o seu produto acabado. Mas como? Ficando na bancada de trabalho de Deus, confiando em Deus através das provações e desejando os Seus objetivos. O propósito está declarado na expressão seguinte, “para que sejais perfeitos e completos, não faltando em coisa alguma.” O objetivo final do sofrimento é um crescimento maduro, transformação no caráter de Jesus Cristo – sendo conformados ao Filho de Deus (Rm 8:28-29).
“Perfeitos” é teleios. Ela significa perfeito no sentido de “maduro.” Significa “tendo alcançado o seu final, completo, acabado, maduro.” Ela era usada tanto para desenvolvimento físico como espiritual. No coração desta palavra está a idéia do Velho Testamento de uma pessoa completa: aquela que está corretamente relacionada com Deus. Uma boa passagem do Novo testamento para isto seria Efésios 4:13-14.
“E completos” mais adiante explica. A palavra aqui é @oloklhros, “completo em todas as suas partes.” A semelhança a Cristo deve penetrar todas as áreas da vida do crente e isto inclui todas as virtudes do caráter Cristão ou o fruto do Espírito.
“Não faltando em coisa alguma” realça esta ênfase no propósito de Deus de nos trazer para a maturidade espiritual ou para dentro do caráter do Filho de Deus. Nenhum de nós consegue chegar aí, mas este deve ser o nosso objetivo e o nosso desejo como pessoas redimidas do pecado e com a eternidade como o nosso prospecto como filhos de Deus.
O sofrimento nunca é fácil. Ele é duro por que machuca. Nós precisamos da graça de Deus que nos capacita a lidar com as irritações da vida, mas ironicamente nós gastamos muito tempo conversando com as pessoas sobre os nossos problemas e as coisas que nos ferem ou nos irritam e muito pouco tempo conversando com Deus. É significante que logo após de nos lembrar dos propósitos de amadurecimento de Deus no sofrimento, Tiago nos leva à assistência de Deus e à questão da oração ou a oração com fé (1:5f). Isto logicamente nos leva ao nosso próximo passo no foco para cima.
Passo Três:
Entregue ao Senhor
… lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós.
Quando nós tentamos lidar com nossas provações por nós mesmos, nós no final das contas falhamos mesmo quando nós pensamos que tivemos sucesso. Quando nós lidamos com o sofrimento por nossos próprios métodos, nós agimos em arrogância e rebelião, e rejeitamos a graça e a sabedoria de Deus que é tão desesperadamente necessária para lidar com a vida mesmo na prosperidade. Sempre que agimos assim, nós estamos acreditando e agindo de acordo com a mentira de Satanás que nos quer fazer acreditar que nós podemos andar independentemente de Deus através de nossas próprias soluções para a vida.
Ainda assim, mesmo quando nós compreendamos os propósitos de Deus em nossos sofrimentos e os vejamos como as ferramentas que Ele usa para nos transformar ou para nos usar nas vidas de outros, nunca é fácil. O sofrimento dói e nós não gostamos da dor apesar dos benefícios. Embora nós compreendamos que ele nos leva a um fruto pacífico de justiça, ele ainda é doloroso e nós precisamos de assistência. Nós cometemos dois grandes enganos no meio de nossas provações: primeiro, conversamos demais com as pessoas sobre os nossos problemas e muito pouco com o Senhor; e segundo, temos a tendência de nos desviar para as nossas próprias estratégias para lidar com aqueles problemas. Ironicamente, freqüentemente fazemos isto enquanto clamando ao Senhor pela Sua ajuda. Em outras palavras, nós queremos a Sua ajuda, mas de acordo com nossos termos.
Um Exemplo a Seguir
Hebreus 12:1-3 Portanto, nós também, pois estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, 2 fitando os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé, o qual, pelo gozo que lhe está proposto, suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado à direita do trono de Deus. 3 Considerai, pois aquele que suportou tal contradição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos canseis, desfalecendo em vossas almas.
